A cinematografia de Faca Amolada e seus símbolos



Repleto de símbologia, efeitos visuais e um roteiro potente, Faca Amolada é um thriler visual que propõe diversas performances femininas distintas interligadas em um único propósito, com várias camadas de realidade que acontecem simultaneamente.

O filme escrito e dirido por Inagê Kalanã revela Maya em 4 núcleos completamente diferentes, vivendo e influenciando com suas personas em duas linhas narrativas independentes dentro do filme que convergem entre si no final. Na primeira delas somos ambientados numa rua de periferia onde Maya inspira uma garota que é reprimida pela avó (e tudo o que ela representa na vida real), na outra vemos a Deusa Maya, uma personificação de Oshun e Aphrodite, a Deusa mãe e do amor que interdimensiona o seu ambiente natural para acorrer uma filha a superar a insegurança no seu ojetivo amoroso. Em seguida somos convidados à uma festa onde conhecemos essa filha, uma outra mulher, e podemos presenciar ali o nascimento da paixão dela por um rapaz numa outra realidade paralela que muda bruscamente a ambientação do filme.

“Quero mostrar dois pontos de vista diferentes que revelam como uma mulher pode influenciar positivamente outra”, nas palavras do diretor, “...que mesmo em realidades paralelas o padrão se repete: seja uma deusa que que cuida de uma filha, ou uma moça que inspira uma criaça, a relação de influência de uma mulher para com a outra em ambos os arcos está presente ”.

Suas linhas cruciais de ação transgridem as barreiras geográficas dentro do clipe com transições entre os núcleos que conectam as histórias através de símbolos, fazendo um laço entre todas as personagens que nos permite vislubrar a linha do tempo desse multiverso: Maya é mulher, é Deusa, é moça, e a forma como essas perspectivas são mostradas pode nos fazer questionar se Maya é mãe de si mesma.

Como dito, o videoclipe é um thriller visual aparentemente despretencioso, que revela suas camadas de experiências visuais e narrativas que exploram a sensorialidade humana feminina. Essa interseccionalidade no storytelling é um dos estilos de escrita favoritos do nosso diretor, conseguindo reproduzir isso numa quantidade relativa de núcleos ao logo do filme.


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